Uma demonstração mostra um agente de IA concluindo uma tarefa. Antes de colocá-lo numa rotina, é preciso entender quais condições permitiram aquele resultado e o que acontece quando elas mudam.

O primeiro teste deve produzir uma entrega que alguém consiga conferir, com materiais representativos do trabalho. Assim dá para separar falta de acesso, instrução incompleta e falha de execução.

Os três componentes do teste

Entrada: quais documentos, mensagens ou dados o agente precisa consultar. Finalidade: que trabalho será apoiado pela entrega. Critério de conclusão: como a equipe vai saber que a responsabilidade foi cumprida.

Numa análise de pendências para a reunião semanal, o agente consulta um conjunto autorizado de tarefas e prepara um resumo com responsáveis, prazos e fontes. A equipe conhece o período e consegue conferir a cobertura.

Inclua uma situação incompleta, como uma tarefa sem responsável. O comportamento esperado é sinalizar a ausência. Se o agente preencher o campo por suposição, a entrega parece completa sem estar correta.

Observe onde a pessoa precisou intervir

Registre as intervenções: indicar onde estava um arquivo, explicar uma sigla, resolver uma contradição entre fontes. Elas mostram o que ainda depende de conhecimento humano ou de preparação do ambiente.

Depois, altere uma condição e repita: um novo período, outro responsável, um documento fora do padrão. A repetição mostra se o resultado inicial dependia de um caso simples demais.

Dois cenários para testar na agenda

Os dois são hipotéticos. Sua realização depende das integrações disponíveis, da qualidade das informações e das regras definidas.

Briefing do dia. O agente reúne compromissos, documentos relacionados e pendências de preparação. Antes de uma reunião sobre renovação de contrato, o resumo deveria apontar os materiais relevantes e as dúvidas abertas, com links de origem — e mostrar quando não encontrou a versão atual. Teste num dia passado que você conhece e procure o que ficou de fora.

Tempo de deslocamento. O agente identifica encontros presenciais e sugere bloqueios na agenda. Precisa de local, horário e condições; um evento sem endereço não permite estimar o percurso. Comece pela análise de conflitos e pela proposta. Alterar compromissos é outra responsabilidade e segue uma autorização definida.

Os dois mostram a diferença entre reunir dados e cuidar de uma necessidade. O briefing precisa apoiar a preparação; o planejamento precisa tornar a agenda praticável.

Quando o agente está pronto

Defina quem acompanha as primeiras execuções e como interromper a rotina em caso de problema. A profundidade da avaliação acompanha as consequências das ações permitidas. Uma rotina está perto de ser utilizável quando a equipe consegue explicar suas entradas, seus limites e suas exceções.

No AI Thinking, de Dani Hayoshi, esse é o movimento de reconstruir: levar a escolha para a rotina com um responsável e uma forma de conferir. Veja também O que são agentes de IA e Governança de IA.


Dani Hayoshi é autora de AI Thinking. Seu trabalho conecta inteligência artificial, educação e empreendedorismo. Conheça sua trajetória.